Porque tantas empresas estão falando sobre Cultura Organizacional

Responda sem googlar: o que você entende sobre Cultura Organizacional? Com certeza você já ouviu falar sobre o assunto, principalmente se atua no RH de alguma empresa, mas será que esse conceito - e a importância dele pras organizações - está realmente claro?

Por que tantas empresas têm falado e investido no tema ultimamente? Qual a diferença de uma cultura forte e o que as organizações estão fazendo para tornar suas culturas mais intencionais e inspiradoras? Foi pensando nisso que preparamos um resumo pra você fazer bonito na próxima vez que ouvir perguntas como estas. Segue comigo!

“A cultura devora a estratégia no café da manhã”

A frase épica de Peter Drucker, considerado o pai da administração moderna, é uma excelente síntese do peso que a cultura e o comportamento organizacional têm no sucesso das empresas, e do quanto eles influenciam na efetividade da estratégia de uma organização.

Por mais que haja objetivos claros, indicadores que fazem sentido para o negócio e metas por área bem definidas, são os ritos e simbolismos do dia a dia que vão determinar a intenção e a intensidade com que as pessoas vão aderir à estratégia.

Muitas organizações já desenvolveram essa percepção, e é por isso que assuntos como qualidade de vida no trabalho, engajamento interno, marca empregadora e clima organizacional têm estado cada vez mais em pauta nas áreas de recursos humanos e desenvolvimento organizacional. O recado é: não há estratégia que resista a uma cultura frágil.

O mundo é dos fortes?

Se estivermos falando de empresas com uma cultura forte, a resposta com certeza é SIM. Mas o que diferencia uma cultura forte de uma “fraca”? Quais os reais benefícios de investir no fortalecimento dos pilares que sustentam o comportamento organizacional?

Para exemplificar, pense no desafio que a maioria dos negócios enfrentam ao tentar acompanhar a transformação digital que estamos vivendo. Segundo uma pesquisa realizada pela Gartner com mais de 100 CIOs em 2018, 46% deles apontam a cultura organizacional como a maior barreira para escalar essa transformação, ou seja, fortalecer a cultura significa potencializar o engajamento com as mudanças necessárias.

Mas os argumentos não param por aí. De acordo com um estudo realizado pela Universidade de Stanford com as maiores companhias do Vale do Silício, as que possuem uma cultura forte tiveram um aumento 4 vezes maior de receita, expandiram sua mão-de-obra 8 vezes mais e tiveram um crescimento de receita líquida 755% maior do que as que não investem na cultura organizacional.

Criando uma cultura inspiradora

É um grande erro achar que uma cultura forte pode ser criada utilizando o mesmo formato clássico de planejamento estratégico, reunindo a cúpula da organização para revisar os planejamentos anteriores, determinando novas metas e orçamento e comunicando os resultados para toda a organização ao final.

Confira alguns passos essenciais para modelar uma cultura intencionalmente inspiradora:

1. Ouça quem importa

  • Inicie uma conversa franca e isenta com os públicos da organização - principalmente os internos - para entender a percepção dos diferentes grupos sobre os pontos positivos, desafios e expectativas que se destacam na rotina da empresa.

2. Processe bem

  • Identifique as temáticas mais relevantes (dificuldades mais citadas, forças mais frequentemente reconhecidas) e dê especial atenção àquelas que afetam ou têm relação direta com a estratégia da organização.

3. Construa os pilares

  • Levando em consideração o cenário obtido, reúna representantes-chave (como líderes e principais influenciadores) para revisar o propósito e idealizar os pilares culturais que deverão nortear o comportamento organizacional.

4. Coloque na prática

  • Com os pilares culturais bem definidos e alinhados, realize workshops com os diferentes times para cocriar práticas que traduzam de forma positiva os pilares idealizados. Lembre-se que eles devem servir como referências pro “jeito de ser e fazer” da empresa, mas cada grupo de trabalho deve criar suas próprias ferramentas e práticas para tangibilizar a cultura desejada.

5. Multiplique o milagre

  • Mapeie potenciais e forme multiplicadores (ou guardiões da cultura) que possam promover constantemente o propósito e os pilares culturais dentro da organização, garantindo que as práticas sejam periodicamente revisadas e que novas possam ser construídas para atender às necessidades dos times sem perder o alinhamento com a cultura.

Essa é apenas uma visão geral das principais etapas, mas é claro que existem dezenas de atividades e ferramentas que podem facilitar a construção de uma cultura organizacional mais inspiradora. O importante é entender que não dá pra viver sem ela e que, se queremos uma transformação cultural, a hora de começar é agora!

Maikel RosaCultural Hacker na designcultural